A disputa para saber quem vai suceder a Arthur Neto (PSDB) como chefe do Executivo municipal está indefinida neste momento. Na pergunta espontânea “Em quem você votaria para prefeito de Manaus se a eleição fosse hoje?”, 60% afirmaram não ter escolhido um nome, o dado que podemos considerar como o mais relevante desta pesquisa.

A tendência é que esse número de indecisos comece a cair a partir do final de setembro, após as convenções partidárias, quando já forem conhecidos oficialmente os postulantes. Nesse período, a Perspectiva deverá realizar o segundo estudo registrado.

Antes de continuarmos com as respostas da espontânea, vale aqui uma ressalva: durante o período de campo deste estudo de agosto, ocorreram dois fatos novos nos bastidores, com o surgimento da candidatura do empresário Orsine Junior (PMN) e a troca de nomes do PCdoB, entrando Marcelo Amil no lugar de Francisco Balieiro. Em face disso, os nomes deles não puderam ser incluídos nesta rodada, o que não causa alterações consideráveis no quadro.

Amazonino Mendes (Podemos) obteve 10,5% na espontânea, enquanto David Almeida (Avante) atingiu 6,2%. Os demais 12 nomes apresentados somaram 10,3%. Ainda existem 9,5% dos respondentes que não pretendem votar em ninguém (Nulo e Branco), e 3,5% citaram outros nomes que não são pré-candidatos.

ESTIMULADA COM 14 NOMES

As porcentagens das 16 possíveis respostas da pergunta estimulada possibilitam uma divisão em cinco grupos de desempenho, sendo que o primeiro grupo de entrevistados é o dos indecisos (4,1%) e o dos que devem votar nulo ou em branco (15,9%), o que representa a proporção de um para cada cinco eleitores.

O segundo grupo são os líderes e eventuais concorrentes no 2º Turno: Amazonino, com 27,4%, e David Almeida, com 15,3%. Juntos, totalizam 42,7% das intenções, o que já representaria mais de 50% dos votos válidos, na estimulada.

David passou um ano à frente de Amazonino nas pesquisas, até novembro de 2019, quando Mendes virou e começou a abrir vantagem, mês após mês. Entretanto, de acordo com nossos estudos para consumo interno, o decano da eleição parece ter se estabilizado nos últimos três meses, ou seja, parou de crescer.

A pergunta natural a ser feita é: durante os 35 dias de campanha no rádio e na televisão, Amazonino vai crescer, decrescer ou estabilizar? Se ele mantiver os seus percentuais até o final da eleição de 15 de novembro, estará no 2º Turno.

O terceiro grupo é representado por quatro nomes: José Ricardo (PT), com 7,9%; Capitão Alberto Neto (Republicanos), com 6,0%; Marcos Rotta (Democratas), com 4,9%, e Alfredo Nascimento (PL), com 4,4%.

O desafio nesta eleição é o de atingir, no mínimo, 18%, número que, aparentemente, será a linha de corte para ir ao 2º Turno. Então, José Ricardo teria que crescer 10 pontos e Alfredo 14, como exemplo.

O crescimento consolidado de qualquer projeto somente acontecerá após o dia 1º de outubro. O candidato que pretender alcançar a meta da linha de corte deverá ter de conquistar, em média, por dia, entre 0,3% (3.572 votos) e 0,5% (5.886 votos), a partir do início do próximo mês.

O quarto grupo é constituído de outros quatro nomes: Ricardo Nicolau (PSD), com 3,0%; Chico Preto (Democracia Cristã), com 2,9%; Josué Neto (PRTB), com 2,8%, e Hissa Abraão (PDT), com 2,7%. Não há como se afirmar algo em relação à colocação destes, tendo uma margem de erro de 3,1%, para mais ou para menos. É o caso de quádruplo empate técnico.

Ricardo Nicolau terá bastante tempo na propaganda eleitoral e Chico Preto é o que possui o discurso mais oposicionista de todos. Os outros estão com dificuldades em encontrar um posicionamento competitivo. Algumas desistências serão totalmente plausíveis ou poderão compor com outros candidatos.

O quinto e último grupo é liderado pelo Coronel Menezes (Patriotas), com 1,7%, seguido por Romero Reis (Novo), com 0,8%, e fechando o bloco, com 0,1%, temos Francisco Balieiro (PCdoB) e Jesus Alves (Cidadania).

No último fim de semana, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) gravou um depoimento em favor de Menezes, o que já é uma contradição com a sua posição de não se envolver nas eleições municipais.

Qual a dúvida em relação ao fato? Isso impulsionará o candidato? Quanto ele poderá crescer? Respostas somente em data futura, lá pelo dia 15 de outubro.

Fato é que o Messias jogou seus admiradores – Capitão Alberto Neto, Chico Preto, Josué Neto e Romero Reis – simplesmente ao deus-dará.

POTENCIAL DE VOTOS

Na pergunta estimulada, nós captamos o potencial de votos dos pré-candidatos, perguntando não somente a 1ª opção de voto (como é feito tradicionalmente), mas também uma 2ª opção, baseada no questionamento aos entrevistados sobre qual outro nome escolheriam, caso a sua primeira indicação não concorresse.

Da soma das duas opções temos o potencial de votos, a elasticidade máxima de voto de cada pré-candidato.

Como exemplo, na 2ª opção, David Almeida obteve 9,8%; Amazonino, 8,5%; José Ricardo e Marcos Rotta, 6,8%, cada; e Alfredo, 6,6%.

Somadas 1ª e 2ª opções, Amazonino tem 35,9%; David Almeida, 25,1%; José Ricardo, 14,7%, e empatados tecnicamente temos Marcos Rotta (11,7%), Alfredo (11,0%) e Capitão Alberto Neto (10,7%).

POTENCIAL DE REJEIÇÃO

Na rejeição, utilizamos método idêntico ao do potencial de votos, questionando aos participantes em quem eles não votariam de jeito nenhum e qual o segundo nome que não escolheriam. A soma das duas respostas resulta no que chamamos de potencial de rejeição.

Alfredo Nascimento é o que possui o maior potencial de rejeição, com 35,8%, empatado tecnicamente com Amazonino Mendes, que alcançou os 34,1%.

A menor rejeição entre os 10 primeiros colocados na estimulada é do Capitão Alberto Neto, com 3,9% de potencial negativo. Depois vem Chico Preto, com 5,9%; David Almeida, com 8,2% e Ricardo Nicolau, com 8,6%.

POTENCIAL DE VOTOS x POTENCIAL DE REJEIÇÃO

Com 35,8% de potencial de rejeição e apenas 11,0% de aceitação, Alfredo Nascimento é o que possui o maior déficit de potencial de votos: -24,8%. Por outro lado, David Almeida é o que possui o melhor superávit, com 16,9%.

CENÁRIOS DE 2º TURNO

Nos cinco cenários de 2º Turno apresentados aos participantes da pesquisa, Amazonino ganharia em todos.

Contra David Almeida, venceria de 43,5% contra 41,6%, o que se pode considerar como um empate técnico, dentro da margem de erro de 3,1%, para mais ou para menos. Já contra o Capitão Alberto Neto, Mendes venceria por 47,1% a 32,7%, uma diferença de 14,4%.

Numa hipotética disputa entre Amazonino e José Ricardo, o ex-governador ganharia do petista por 49,5% a 30,8%. Caso o adversário fosse Ricardo Nicolau, Mendes seria eleito com 53,9% contra 24,5%.

E se a disputa do 2º Turno fosse com Alfredo Nascimento, a diferença pró-Amazonino seria a maior de todos os outros quatro cenários: 30,8% (50,7% contra 19,9%).

AVALIAÇÃO ADMINISTRATIVA DE ARTHUR NETO

Nesta pesquisa de agosto de 2020, decorridos sete anos e oito meses de Arthur Virgílio Neto à frente da Prefeitura de Manaus, sua gestão recebeu uma aprovação de 37,4%, com 9,2% de conceito ÓTIMO (notas 9 e 10) e 28,2% de BOM (notas 7 e 8).

Dos 41,3% que consideraram a sua administração regular, 11,7% deram-lhe o conceito REGULAR POSITIVO (nota 6); 22,4% foram de REGULAR NORMAL (nota 5), e 7,2% de REGULAR NEGATIVO (nota 4).

Arthur foi reprovado por 21,3% dos entrevistados, sendo 7,4% de conceito RUIM (notas 2 e 3) e 13,9% de PÉSSIMO (notas 0 e 1).  

PESQUISA É FOTOGRAFIA

As pesquisas têm o papel de retratar opiniões e a evolução do pensamento dos eleitores ao longo de todo o processo eleitoral.

Algumas coberturas jornalísticas podem produzir perigosas distorções, ao analisarem incorretamente um estudo eleitoral. Determinadas análises e observações podem induzir o cidadão ao erro.

Nas eleições municipais, é comum que ocorram viradas na reta final. Os eleitores estão cada vez mais decidindo o voto na última semana de campanha.

INFORMAÇÕES OBRIGATÓRIAS

A pesquisa foi executada com recursos próprios da Perspectiva e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 03768/2020, com 1.000 entrevistas na cidade de Manaus, entre os dias 24 e 30 de agosto. A margem de erro é de 3,1%, para mais ou para menos, com grau de confiabilidade de 95%, o que significa dizer que se fossem feitas 100 entrevistas com a mesma metodologia, 95 estariam dentro da margem de erro prevista.

JOB-006-PESQUISA-ELEITORAL-MANAUS-REGISTRADA-NO-TSE-AM-03768

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